Libros hechos com tapas de kartón comprado en las calles de Asunción a 1000 guaraníes el kilo y pintadas a mano por el Domador de Yakarés y kolaboradores Eligio Ayala,889 <> Asunción <> Paraguay <> Fono: 0983 511 805 Pedidos:douglasdiegues@gmail.com

domingo, 9 de marzo de 2008

EL ASTRONAUTA PARAGUAYO, de Douglas Diegues




COSMONAUTA DE CORAÇÃO PARTIDO

Por Sérgio Medeiros

Este livro do poeta Douglas Diegues tem um impagável herói épico: um “astronautita selbagem”, urbano e indígena. Ele flutua cada vez mais alto, depois de beber alguma poção mágica. Temos aí todos os ingredientes clássicos da épica e da fábula. Por isso, este poema longo, escrito num saboroso macarrônico que mescla o espanhol com o guarani e o português, línguas faladas na “Triplefrontera”, fonte da poesia de Diegues, é ao mesmo tempo muito antigo e muito atual. O macarrônico heróico renova a épica latino-americana, graças à sua fulgurante “raiva da expressão” (la rage de l’expression, locução de Francis Ponge, mestre que produziu textos inacabados e variantes infinitas) e à sua visão de mundo inusitada, que revê valores de uma perspectiva “bêbada” e “elevada”, situando a consciência hispano-tupi-luso-afro-guarango-americana nas altas selvas do céu.
Quando li esse texto, lembrei-me logo de uma instalação do artista russo-ucraniano Ilya Kabakov, intitulada “O homem que voou ao espaço do seu apartamento” (The man who flew into space from his apartment), dos anos 1980-90. Nessa instalação de Kabakov, uma farsa trágica, deparamos com um fato real, inequívoco: alguém voou, lançou-se no espaço e desapareceu. A obra consiste num quarto esquálido de teto arrombado, cujas paredes estão cobertas de cartazes soviéticos, executados segundo a estética oficial da ditadura comunista. Tocado pelo êxtase coletivo, o homem voou para fora de uma era particularmente alucinada da história da humanidade e ganhou, aparentemente para sempre, os céus. (A obra de Kabakov é uma crítica mordaz ao totalitarismo.)
O astronauta paraguaio é tão solitário quanto o astronauta russo-ucraniano e, como este, flutua efetivamente no espaço sideral, disso não se pode duvidar. Temos uma prova material que atesta a veracidade dessa façanha épica. No caso do astronauta de Douglas Diegues, a prova material é a língua, a fala macarrônica na qual todo o texto está vazado. Lendo o epos macarrônico, percebemos que o herói está acima das nacionalidades e flutua livremente sobre o mapa lingüístico da América do Sul, expressando-se numa língua híbrida, que desconsidera divisões políticas e culturais, embaralhando fronteiras ou tornando-as incrivelmente porosas. Não existe mais uma fronteira linear, homogênea, mas muitas fronteiras quebradas, confusas, ineficazes.
É um poema lúcido e delirante sobre o amor e a perda, o poder e a exploração, por isso mesmo pode ser definido como uma subida ao céu que é também uma descida ao inferno. O discurso circular desse astronauta que se rejubila e sofre, critica e sonha, poderia redundar numa armadilha alienante, mas isso não acontece. À medida que a nossa leitura evolui, percebemos que o tom do poema se ameniza, a raiva (a paixão) fica mais lírica, os fragmentos mais breves, o astronauta amadurece e reavalia a própria situação, descendo enfim à Terra e pondo os pés leves (extremamente leves) na “Triplefrontera”.
Douglas Diegues cita como suas referências o escritor paraguaio Roa Bastos e o poeta brasileiro Manoel de Barros, homenageando ambos no poema. Eu gostaria de acrescentar Sousândrade, o genial poeta brasileiro do século XIX que, no seu poema épico O Guesa, utiliza também a mescla de línguas para falar da aventura de um nativo da América do Sul no coração da Bolsa de Valores de Nova York. Esse índio do século XIX, que passeia com leveza de astronauta por Wall Street e critica severamente os valores do sistema capitalista, poderia ser, imagino, um legítimo precursor do astronauta selvagem do brasiguaio Douglas Diegues.

Ilha de Santa Catarina, 2007

[Prólogo de Sérgio Medeiros a El Astronauta Paraguayo; Yiyi Jambo, 2007]

Título: EL ASTRONAUTA PARAGUAYO
Autor: Douglas Diegues <> 52 Páginas; Asunción; 2007. <> Gênero: poemário-protonoubellecita <> Precio: 10 Euros (Europa) / 25 Reais (Brasil) / 30.000 Guaraníes (Paraguay) 20 Pesos (Argentina) <> Tiraje: 100 ejemplares <> Obs: Todas las tapas únicas son pintadas a mano por El Domador de Yakarés <> Pedidos: douglasdiegues@gmail.com

1 comentario:

Violeta Mushkova dijo...

Estando de vacaciones por Pedro Juan Caballero, pude encontrar varios de sus libros que me parecieron buenísimos.. pero el que me llamó mas la atención y realmente me gustó fue el Astronauta Paraguayo.. leyendo sus libros pude notar la diferencia de culturas y las mixtura de ambas en la frontera, y me fascino la forma en que describían Asunción, para quien vive acá, no puede negar que realmente es así. Solo quería felicitarles y desearles mucho éxito.